Nome: MASSAFUMI YOSHINAGA
Pai: Kiyomatsu Yoshinaga
Mãe: Mitsuki Kuriki
Idade quando desaparecido:
Massafumi Yoshinaga cometeu suicídio em 07/07/1976, na cidade de São Paulo, em sua casa na Vila Odete, seis anos depois de ficar nacionalmente conhecido como um dos militantes de esquerda que gravaram depoimentos renegando as convicções políticas anteriores e repudiando suas organizações clandestinas. Essas gravações foram levadas ao ar através de cadeias nacionais de rádio e TV como demolidora tática de guerra psicológica contra a resistência armada. Hoje, é sabido que muitos desses casos de “arrependimento”, termo utilizado nas notas oficiais dos órgãos de segurança, foram na verdade resultado de torturas.
Massafumi nasceu em Paraguaçu Paulista (SP) e começou a participar do Movimento Estudantil secundarista em 1966, como aluno do colégio Brasílio Machado, na Vila Mariana, capital paulista. Em junho de 1967, foi delegado ao congresso da União Paulista dos Estudantes Secundaristas, sendo eleito vice-presidente da entidade. Em 1968, dirigiu o jornal Avante, em sua escola, tornando-se uma conhecida liderança nesse segmento estudantil. Tornou-se, em seguida, militante da VPR e esteve por alguns meses na primeira área de treinamentos que a VPR selecionou no Vale do Ribeira, juntamente com Celso Lungaretti, Lamarca, Lavecchia e Fujimore, sendo que os casos desses três últimos nomes já foram apresentados neste livro-relatório. Massafumi e Lungaretti foram removidos daquela área ainda no início de 1970, sendo este último preso em abril, pouco antes de os órgãos de segurança descobrirem a presença de Lamarca naquela região.
Não foi possível reconstruir com precisão a seqüência dos fatos, mas é sabido que Massafumi teria se apresentado voluntariamente aos órgãos de segurança em meados de 1970, depois de passar alguns meses sem contato com a VPR, enfrentando dificuldades de sobrevivência e sendo avidamente procurado pelo aparelho de repressão do regime militar, que o confundia com Fujimore, acusado este de participação em inúmeras ações armadas, ao passo que Massafumi tinha, na VPR, militância de base.
No processo apresentado por seus familiares à CEMDP consta que, após submeter-se a uma dessas retratações públicas, concedendo entrevista à TV Tupi ao lado de um general do Exército, passou a sofrer distúrbios psicológicos que terminariam se revelando permanentes. Tinha alucinações e dizia repetidamente que a OBAN iria matá-lo. Diante disso, submeteu-se a repetidos tratamentos psiquiátricos, teve de ser medicado e chegou a ser internado. Na primeira tentativa de suicídio, Massafumi se jogou embaixo de um ônibus; na segunda, tentou se jogar pela janela; na terceira e última, se enforcou com a mangueira de plástico do chuveiro, em sua casa.
Ao recomendar em seu voto o deferimento do pedido, acatado por unanimidade pelos integrantes da CEMDP, a relatora do processo, Maria Eliane Meneses de Farias, analisou essas marcas psicológicas permanentes e registrou que, ao sair da prisão, Massafumi não conseguiu mais estudar ou trabalhar e a família continuou sendo vítima de vigilância e perseguições.
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